22 de janeiro de 2012

O planejamento anula a lei natural do mundo

Enquanto as coincidências simplesmente ocorrem - e já é tempo de entendê-las como sinais de algo maior -, o se render a elas só ocorre quando paramos de planejar. Os sinais estão em todos os lugares a todo momento, se estamos inteiramente focados a seguir nossa linha reta planejada, não damos atenção a eles.. e deixamos passar muita coisa incrível e que nunca saberemos. Se, por outro lado, nos enchemos de boas energias, de lindas intenções e confiança, atraímos tudo o que o mundo está disposto a nos dar. Tudo de mais vislumbrante, inesperado e bom surge em nosso caminho, criando as experiencias que nos fazem crescer. No mais profundo significado da vida, essa é a realidade, é o viver por inteiro. Quem não tem tempo, coragem ou atenção pra seguir esses claros sinais da intuição, não está vivo de verdade. Participa de uma semi-vida.. usufruindo apenas das coisas menores de seu todo. Enquanto quem acredita vive a vida em sua plenitude, podendo ter a total satisfação de ser acompanhado por algo divino a todo tempo.

"Pela lei natural dos encontros
eu deixo e recebo um tanto.
Participo sendo o mistério do planeta."

9 de agosto de 2011

e cada nova vida vem com a sua estrutura moldada.

você provavelmente tentará colocar a culpa em alguém,
ou se sentirá angustiado,
vai esbravejar,
lamentar,
calar...

pois bem,

faz parte do processo.




10 de junho de 2011

É como se eu estivesse num bosque.. 
Um bosque muito bonito, 
onde existe uma casa quente e aconchegante
Eu quero muito chegar nessa casinha campestre 
e usufruir do seu aconchego
E eu sei que se eu me empenhasse muito 
e me esforçasse, 
conseguiria correr e chegar logo... 
Mas e as flores ali do caminho?
Qual é a magia desse aroma que elas exalam? 
Prefiro ir caminhando,
às vezes desviar o caminho
Prefiro conversar com as árvores e sorrir aos animais
Não me apresso,
tiro um cochilo no sol do fim da tarde, 
me parece perfeito o seu calor
Porque prefiro chegar na casinha que tanto almejo
com um buque de flores campestres 
pra enfeitar minha janela; 
com a sabedoria das árvores, 
a serenidade do orvalho,
a leveza dos pássaros...  
Assim soa mais belo e uno o meu caminhar.

26 de abril de 2011

outono

manhã nublada,
vento frio, muito frio,
cores opacas,
silêncio...
andei em câmera lenta, quase como fazendo tai chi,
não quis falar, nem emitir sons,
vi a copa das árvores dançando,
desejei introspecção e recolhimento.

17 de abril de 2011

não consigo pertencer a esse mundo.
meu coração bate por inércia.
minha alma grita, berra, se contorce..
e eu, enquanto corpo e mente,
não sei o que fazer por ela
a não ser chorar sua dor.
desesperadamente.

meus olhos, na passividade,
olham com desolação.
não reconheço nada.
nem o amor, nem a verdade.

o mantra, que toca a horas nos meus ouvidos
já não sei se ouço.
meu corpo anestesiou.
minha mão tem marcas da pedra da chapada.
e meu coração tem marcas de dilaceramento.

mas não é isso...
é minha alma.
ela não se encaixa,
não se encontra,
não tem forças,
não sabe como encontrar.
foi-lhe sugado o belo e puro.

o que lhe resta é fraqueza.
e desesperança.

como Hesse e seu tempo instável,
o diabo entornara o caldo.

21 de fevereiro de 2011

Hurbano

Tantas vidas à mingua nas janelas dos apartamentos,
tantos corações resfriados nos ares
condicionados dos escritórios, tantos homens afogados
no pixe das avenidas; são pequenos pedaços 
do que poderíamos ser, humanidade particionada
em compartimentos separados e imiscíveis. Até a revolta
jaz em seu cubículo e corre pelas mesmas raias ditadas,
e o desejo, sublime fraqueza humana e divina
é doutrinado, esclarecido, escoltado pelo caminho enquanto
sua falta, espaço sagrado do homem consigo mesmo, ou sua
diversidade, vária como as formas de vida
tratamos com drogas brancas, tão limpas que causam asco
e apenas asco e náusea; nenhum prazer, a fera indômita
do prazer humano, que é lacerada, acorrentada, instruída,
submetida ao controle. A dor não nos merece o respeito
e ainda menos a compreensão; é sufocada até o silêncio, e afogada
no oceano de analgésicos que é imune às marés pois não conhece
a Lua. O céu chega a parecer, às vezes, que se pinta
com o capricho da menina desprezada que se quer fazer bonita, e vê
enegrecer a alma quando sua luz se esvai e ninguém chamou-a
para dançar. O sol incomoda, a chuva
incomoda e escorre no asfalto frio, inodoro e insípido. E sobre o asfalto
os olhares jamais se encontram e os corpos desesperados se evitam
e apenas as orelhas, enormes satélites, e as línguas imparáveis
funcionam. As sentenças que dizemos começam sempre
com o mesmo pronome: eu, e todas repetem um ou outro aspecto da 
mesma pintura. Temos, mais do que nunca, uma enorme, imponente pintura,
uma estátua de concreto, petróleo e ouro, um novo Davi. Temos 
a cada vez mais artistas e menos arte; e um ódio que cresce, cresce
nas ruas, nos carros e nas fisionomias até tornar-se um filete
finíssimo e que emite um som agudo, enlouquecedor, em nossas cabeças. Temos 
apenas um deus, grave, ambíguo, contumaz em sua ausência, e discussões
intermináveis e fatais sobre o que quis ele dizer quando nada
disse. Esperamos, ansiosamente, que uma ciência imaculada e virgem nos resolva
o problema que ainda não conhecemos, em meio à fome que não se sacia
pela vida que nos negamos ou pela comida que apodrece
nos portos obedecendo às leis do comércio internacional. E ainda é mais fácil
quebrar com as mãos os joelhos de um homem do que vê-lo
olhar para dentro de si mesmo ou para dentro do que ele pensa saber
que a vida é. Há cada vez mais gritos durante a noite e
cada vez menos plateia para os amanheceres, e à tarde o que se vê
é uma luta encarniçada por uma frente de dois metros. Bebe-se, sem dúvida,
mais álcool do que o que cabe no estômago e vomita-se, religiosamente
pelas noites de sábado, como se a embriaguez fosse uma vontade
de expelir-se algo que nunca termina de estar no sangue. Finge-se,
sobretudo; parodia-se a liberdade e a loucura no torpor da ignorância e na entrega
efêmera aos sentidos que já não os temos por inteiro. Caricaturamos a morte
no verso dos maços de cigarro, e farseamos a vida nos anúncios
de veículos e nos espelhos das academias; gargalhamos, mostrando os dentes brancos
e inflando as artérias do pescoço, mas raramente sorrimos, exceto
quando o universo nos dá precisamente o que esperamos. E esperamos,
por algo melhor, pelo fim da tarde e pelo domingo; o calendário
é uma nova força da natureza, indomável, e os dias tem nomes e motivos, ninguém
se lembra de quando o sol apenas se deitava, e nascia. Nosso sexo
é uma infâmia ou uma trivialidade, ou a obrigação mecânica
da ejaculação que nos é sempre precoce, já que o amor
é pouco do corpo e menos do espírito, e está catalogado
pelos programas de televisão. O nosso futuro
é o futuro do país e o futuro do mundo, já não é nosso, e o passado
é uma aberração que procuramos esquecer, ou a pantomima ridícula de que 
escarnecemos. Enterramos os nossos rios debaixo da terra, nossa terra
debaixo das calçadas, e nossa inteligência sob os escombros
da técnica acima de tudo; da informação que inventamos
para que circule como um pião extraimos somente a casca, colorida
e jamais as sementes. Há sal sobre todas as terras, e veneno
em todas as águas, que escorrem das torneiras ou que 
industrializamos nas garrafas plásticas. Os homens se engravatam
e as mulheres equilibram-se sobre os sapatos, enquanto todos oscilam
sobre o vácuo dos nossos mais nobres objetivos, estéreis
como a essência mesma do nosso tempo, como o ócio que esquecemos
e repudiamos como abominável, diluindo-o na inconsciência até que nos chegue
um dia útil. Os diálogos que construímos são monólogos intercalados, e a voz
que nos sai da garganta não fala para o outro, não fala para nós mesmos; é um guincho,
um ronco, um som de animais na floresta cinza. Porém temos telefones, e máquinas
prodigiosas e fascinantes, avançamos tenazmente em direção à uma vida
de silício e energia elétrica, e ondas eletromagnéticas que trafegam
com nossa personalidade nas mãos. E construímos para nós monumentos intrincados
de empilhadas abstrações, encantados com a maleabilidade da natureza e simultaneamente
desprezando-a por prostituta, que cede com facilidade aos ataques
que promovemos. A linguagem, essa dulcíssima maldição, aprisionou as coisas e a nós
mesmos nos labirintos dos símbolos, e ao centro o Minotauro das coisas
mesmas há muito morreu de inanição. enquanto nossos egos assam inúmeros bois, 
galinhas, porcos e patos e os deglutem, carne e ossos. O sangue que derramamos 
é covarde, vil, e o sangue que compartilhamos mora agora apenas nos livros
de direito civil. Os supermercadaos estão abarrotados de produtos de limpeza mas
ainda assim todos se sentem sujos, e as prateleiras são agora as mais exfusiantes
palhetas de cores. Há filas, filas por toda a parte e que nunca terminam, e
que se sucedem, e se agigantam quando falham nossas mais precisas previsões, ou quando
submergimos, na água morta que sobe de nossos esgotos ou no frenesi da busca por
ingressos para a redenção das almas. Mas a produção ainda
cresce e o faturamento explode pelas paredes dos escritórios de contabilidade, onde
trabalham os nossos mais talentosos fabulistas; os países crescem como brilhantes
edemas cor-de-rosa, enrijecidos e pressionados pelo tecido que julgavam morto, mas que
se agita sob a pele frágil de nossa membrana social. Até que um dia romperá, ejactará
tudo o que ocultamos por sobre os prédios de vidro, sobre as pungentes solidões dos
homens, sobre as delegacias e penetrando igrejas, cobrirá tudo de branco
incandescente, e arderá, se consumirá no fogo silencioso que vai nos destruir, nos
desfigurar e nos transformar, e de onde saíremos, negros como a madeira carbonizada, secos
e puros, e finalmente, finalmente, 
humanos.


Paulo Hubert
http://cometendo.blogspot.com/

14 de fevereiro de 2011

Uh lalalalalalalá...



Je me tire... Babylone.
Je me tire...
Faut que je respire...

6 de fevereiro de 2011

don't burn the day away

Look
Here we are
On this starry night staring into space
And I must say
I feel as small as dust
Lying down here

2 de fevereiro de 2011

empty.

26 de dezembro de 2010

As energias cruzadas da cidade me colocam num estado perigoso de amortecimento. 
Longe do divino me sinto insensível, fraca e vulnerável.
O que é cor não brilha; minha mente se confunde, duvida, se angustia em silêncio...
No caos sinto dificuldade em escutar meu grito interior.
Tudo se concentra na linha do tempo, com seus acontecimentos lineares.
A mente fica anestesiada; resposta automática ao extremo cansaço.
Meditar não é fácil, a mente não pára de receber informações; a alma se sente vazia.
As inquietações crescem, sem que eu encontre razões, motivos ou esclarecimentos.
A tristeza vem; e vai tão enigmática quanto veio.

E é numa água de cachoeira, numa vivência com Gaia, num banho de rio, num encontro de almas luminosas... que a minha mente consegue se acalmar; se despir desse verniz excessivamente espesso de civilização, de mecanicismo e de orgulho. É nesses momentos que me encontro com o ser primitivo, volto à minha verdadeira essência; consigo sentir a grandeza da minha emoção, a magnificência de tudo o que é, e a pobreza desse grosso e ilusório verniz que não é. É nessas horas que tudo se fortalece dentro de mim, a clareza se faz presente, a intuição aflora e o amor brilha, pra que eu não deixe de sentir a espiritualidade dessa conexão, mesmo quando novamente a cidade entupir minha cabeça com in-verdades...

E assim acontece, até que a próxima dose de civilização, mecanicismo e orgulho me faça duvidar, inquietar e entristecer de novo; e tudo mais uma vez me pareça obscuro e incompreensível...